terça-feira, 4 de janeiro de 2011

EPIFANIA DO SENHOR

«Os Reis de Társis e das ilhas vão trazer-lhe ofertas, os reis de Sabá vão pagar-lhe tributo. Que o adorem todos os reis da terra e o sirvam todas as nações» (cf. Sal 72). A Solenidade de hoje mostra-nos o cumprimento desta profecia. Os sábios “pagãos” vão à manjedoura de Belém. O nascimento do Salvador apresenta-se como um acontecimento que interessa não só ao Povo de Israel, mas a todo homem. A liturgia apresenta um fato particular – a adoração dos Magos – e, através de tal acontecimento, insere-nos na Realidade divina. Eis a pedagogia divina: A Incarnação.
Os três Magos, cujos restos mortais são custodiados na Catedral de Colônia, eram homens em atitude de profunda espera, que escrutavam os céus em busca dos sinais do Criador. Para fazer-se encontrar por eles, o Senhor utiliza aquilo que lhes era mais familiar: a estrela. Tratava-se de uma estrela com luminosidade e dimensões similares a qualquer outra, mas que ao mesmo tempo, era absolutamente única. De fato, ao resplandecer sobre suas faces reacendia os seus corações, mostrando para qual Luz fossem realmente feitos e colocando-os em caminho.
Tratava-se de um “sinal”, algo de absolutamente comensurável, mas que remetia a uma Realidade superior ao próprio significado.
Durante a viagem, especialmente quando os Magos chegaram a Jerusalém, parecia que a estrela havia desaparecido, mas, na realidade, estavam diante de uma estrela bem maior, que lhes permitiu reconhecer a necessidade de dar um passo ulterior. De fato, reconheceram que foram conduzidos ao coração de Israel, o Povo que o Senhor escolheu como sua morada, e àquela nova Estrela confiaram o próprio caminhar. Depois do cosmos, da obra da criação, a primeira Aliança é o “grande sinal” que Deus pôs no mundo, através do mistério da predileção.
No entanto, parece que aquela luz não resplandeceu com a mesma pureza do astro celeste, ainda que fosse sempre uma mesma luz, pois em diversos momentos indicou aos Magos o caminho, animados das mais díspares das intenções: o rei Herodes serviu-se deles para eliminar um possível rival no poder e concorrente ao título de Rei; além disso, os chefes dos sacerdotes e os escribas usaram a sabedoria recebida de Deus para secundar as solicitações de Herodes, ao ponto de fazê-lo permanecer em Jerusalém, ao invés de acompanhar os Magos à Belém.
O Evangelista mostra-nos o Mistério da Igreja, a Comunidade daqueles que, por graça divina, tornaram-se filhos no Filho, ao mesmo tempo em que foram chamados a fazerem-se, com a ajuda divina, plenamente participantes da Vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.
Confiamo-nos ao Senhor Jesus que, sobretudo através daqueles “astros” – que de modo todo especial resplandece na vida dos Santos – indica-nos, incansavelmente e com fidelidade divina, a Igreja como lugar do encontro com Ele. Juntamente com os Magos, aprendemos da Bem-Aventurada Virgem Maria e da fé das pessoas simples, a ter mesma atitude dos pastores: prostrar-se diante de Cristo, verdadeira Eucaristia, e oferecer ao Rei dos reis o ouro dos nossos “tesouros”, ao Deus-conosco o incenso da nossa oração, e ao Redentor Crucificado e Ressurrecto a mirra do nosso sofrimento.
Assim nos tornaremos, sempre mais, participes da Vida do Senhor Jesus, único e verdadeiro “Astro do Céu”, e se realizará também em nós a profecia de Isaías: “Então verás, e teu rosto se iluminará, teu coração vai palpitar e arfar, pois estarão trazendo a ti os tesouros de além-mar, aí chegarão as riquezas das nações” (cf. Is. 60, 5).

Citações de:
Is 60,1-6: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/it/9abuxwb1.htm
Eph 3,2-6: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/it/9absu0c.htm
Mt 2,1-12: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/it/9abttkb.htm

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal do Senhor




Quanta alegria invade nossos corações!

Nesta noite histórica, que se transformou no Dia Eterno. O dia em que Deus, o Salvador nos veio visitar.

A Luz verdadeira veio dissipar as trevas da nossa vida. Com outras palavras diríamos: a Graça veio suplantar o pecado. Mas, afinal, o que dizer? Quais palavras usar? Se o Verbo Divino e Eterno, o Altíssimo Deus se fez o Pequenino Deus.

Quão humilde nosso Deus, Santíssimo veio habitar em meio aos pecadores. Não por acaso, mas para nos tornar santos como Ele é Santo.

Um abençoado Natal do Senhor!



Emerson Mozart

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Maria no plano da Salvação

Diversas vezes Jesus foi identificado como a luz, já no Evangelho Ele se identifica como a luz do mundo que veio iluminar e dissipar todas as trevas (Jo 8,12). Cristo gerado antes de todos os séculos, procede diretamente do Pai, “Luz da Luz”. E por desígnio de seu Pai entrou na história, não de forma mágica, mas nascido de uma mulher (cf. Gl 4,4). Esta por sua vez representa todo o seu povo à espera da vinda do Messias. O nome desta mulher é Maria, considerada Aurora da Salvação, pois trouxe em seu seio Jesus Cristo a Luz do mundo, aquele que veio trazer a vida divina, a salvação para a humanidade inteira.
Na plenitude dos tempos, Deus preparou uma virgem com a finalidade de ser mãe de seu Filho no mundo. Por esta razão Maria foi concebida imaculada, sem pecado, a fim de receber santamente o Salvador. Para que, isentos do pecado, tanto o Filho como a mãe, fossem o novo Adão e a nova Eva. Pois, já que por Adão e Eva, nossos primeiros pais, tornamo-nos pecadores, por meio de Jesus e Maria fomos regenerados definitivamente. Todavia, é preciso esclarecer que Maria não assume aqui a função de “salvadora” da humanidade, mas foi a primeira a experimentar dessa graça santificante e ao mesmo tempo a primeira a colocar-se a seu serviço. Para isso Maria confiante se entregou nas mãos do Pai, submetendo sua vontade a vontade do Pai, quando disse livremente: “Ecce ancílla Dómini: Fiat mihi secundum verbum tuum!” (cf. Lc 1,38). No entanto, o sim de Maria foi como que aurora para o sim definitivo e sem reservas de Jesus Cristo, que apagou o pecado da humanidade. Tudo isso, revela que Deus respeita a liberdade do ser humano até as últimas conseqüências. Ele só salvou o homem porque este escolheu a salvação. Maria, na história da salvação é modelo de toda a humanidade, que deseja a Deus e sua salvação. Isso porque, fazendo a sua vontade, a exemplo de Maria nos configuramos a Cristo e formamos com Ele uma só família.
Sendo assim, podemos concluir que a presença de Maria na Economia da Salvação é de grande importância. E isto não significa que Deus esteja submetido à vontade de Maria, pelo contrário, Ele nos provou que podemos ser livres mesmo submetidos à sua Vontade. Retomando agora nosso ponto de partida, podemos dizer em conformidade com o que foi dito: Maria traz em si a Luz que é o Cristo. Ela não é a Luz, mas a contém, porque em sua vida foi Deus quem se manifestou, pois foi em virtude do sim de Cristo que ela disse o seu.

domingo, 13 de junho de 2010

ENCERRAMENTO DO ANO SACERDOTAL




Esta cidade, disse o Papa, viveu jornadas inesquecíveis, com a presença de mais de 15 mil sacerdotes de todas as partes do mundo. "Por isso, hoje desejo dar graças a Deus por todos os benefícios que este Ano trouxe para a Igreja em todo o mundo. Ninguém jamais poderá medi-los, mas certamente estão visíveis e serão ainda mais visíveis os seus frutos."


domingo, 16 de maio de 2010


ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO
DOS SACERDOTES AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI

Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
Estamos cientes de que, sem Jesus,
nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.
Esposa do Espírito Santo,
alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.
E assim possa a Igreja
ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d'Aquele
que faz novas todas as coisas.
Mãe de Misericórdia,
foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).
Ajudai-nos,
com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.
Preservai-nos com a vossa pureza,
resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflecte em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.
Mãe da Igreja,
nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso « eis-me aqui».
Guiados por Vós,
queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.
Advogada e Medianeira da graça,
Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.
Repeti ao Senhor aquela
vossa palavra eficaz:
« não têm vinho » (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.
Cheio de enlevo e gratidão
pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
« Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).

Mãe nossa desde sempre,
não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este acto de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
reflectida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Caminho da ressurreição




Nossa existência se faz num caminho, que percorremos do nascimento à morte natural. Mas como seres humanos, não temos uma vida reduzida somente a isso, nossa caminhada existencial é marcada por questionamentos fundamentais, sobre a vida e até sobre a morte. Essas indagações são de algum modo, concretizadas em nossa vida por intermédio de posicionamentos que tomamos, escolhas que fazemos e até mesmo modos de viver que escolhemos. Dessa maneira, encontramos razões para nossa existência, que nos encorajam a empenhar toda a nossa vida.
O Povo de Deus fez esse percurso da obscuridade à luz, a partir de Abraão, o pai dos hebreus, passando por Moisés até chega a Jesus, o povo caminhou em busca do sentido de sua existência. A culminância desse caminho foi o acontecimento da encarnação do Verbo, pela qual Deus mesmo vem dar o sentido último da vida do homem. Mas para acolher essa revelação faz-se necessário abrir o coração à luz da fé como aconteceu no caminho para Emaús (cf. Lc 24, 15-17. 25-27).
No caminho crescemos na fé, encontramos razões para nossa esperança (cf. IPd 3, 15b). A analogia do caminho sempre foi muito ajustada para o cristianismo, pois faz parte de sua proposição fundamental, essa metodologia processual. Característica fundamental que com certeza foi herdada da experiência judaica, que sempre viveu essa dimensão de povo peregrino, chamado a ser luz dos povos. É no caminho que deixamos para trás velhas práticas que não nos ajudam, como também a prendemos que não somos eternos e que as coisas desse mundo são efêmeras (cf. I Cor 7, 31b; I Jo 2, 15-17), mas também no caminho descobrimos que somos herdeiro de um bem maior que ultrapassa todas as coisas, Deus.
Acredito que foi essa a experiência fundamental da vida de São Paulo. Lucas quando narra em Atos dos Apóstolos a conversão de Saulo (cf. At 9, 1-20), não quer transmitir um acontecimento mágico e fantasioso. Pelo contrário, relata que Paulo faz essa passagem de perseguidor dos que já eram do Caminho (At 9, 2), para um seguidor do Caminho (Gl 1, 12-24). Antes de sua conversão não enxergava com os olhos da fé, mas estava preso as suas convicções que lhe impossibilitava de progredir na mesma fé. Somente quando foi atingido pela luz da Verdade de Jesus é que pôde se deixar conduzir pela comunidade dos seguidores do Caminho. A comunidade lhe retirou as “escamas dos olhos”, e lhe conferiu a missão de fazer com que outros também enxergassem a mesma luz.
Por fim, o caminho que o Evangelho que nos ensinar é o caminho da ressurreição. Isso significa que nossa vida deve passar por uma fundamental e radical transformação. A ressurreição de Cristo nos impele. Não podemos nos conformar com a morte e com tudo que só conduz a ela. Devemos buscar cada vez mais viver a vida verdadeira conquistada por Cristo na cruz.

terça-feira, 6 de abril de 2010