terça-feira, 6 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

TRÍDUO PASCAL


Queridos irmãos e irmãs,
Amanhã terá início o Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico, no qual somos convidados, através do silêncio e da oração, a contemplar o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Como prelúdio, na manhã da Quinta-feira Santa, celebramos a Missa do Crisma, na qual são consagrados os santos óleos e os sacerdotes renovam as promessas da sua ordenação, gesto que neste Ano Sacerdotal assume um significado especial. Ao entardecer do mesmo dia, comemoramos a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés visto como uma representação da vida entrega de Jesus com o seu amor levado ao extremo; um amor infinito capaz de habilitar o homem para a comunhão com Deus e torná-lo livre. Na Sexta-feira Santa, fazemos memória do seu sacrifício na Cruz para a nossa redenção. Por fim, após o silêncio do Sábado-Santo, celebramos a Vigília Pascal na qual, com o canto do Aleluia, proclamamos a Ressurreição de Cristo: a vitória da luz sobre as trevas, da vvida sobre a morte
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL Praça de São Pedro
Quarta-feira, 31 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

SEMANA SANTA


Neste domingo iniciamos a Grande Semana dos cristãos, na qual celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. O início dessa grande celebração se dá com o Domingo de Ramos, pelo qual recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém, para realizar sua entrega total e definitiva ao Pai, por nós.
No contexto do Ano Sacerdotal vale à pena fazer um paralelo entre dois sacerdotes, entre dois sacrifícios. O primeiro sacerdote é figura do segundo, ou seja, é sua prefiguração. Trata-se da relação entre Melquisedec e Jesus. Melquisedec é um personagem que não possui origem, nem muito menos fim. Tudo o que se sabe dele é que foi o primeiro a oferecer um sacrifício de pão e vinho e que era rei de Salém. “E seu nome significa, em primeiro lugar, ‘Rei de Justiça’; e, depois, ‘Rei de Salém’, o que quer dizer ‘Rei da Paz’.” (Hb7, 2) Também Abraão entregou para ele o dízimo de tudo (cf. Gn 14, 20), reconhecendo, assim, sua superioridade no que se refere a relação com Deus. Desse modo Melquisedec pode ser considerado maior que Abraão, em virtude de seu sacerdócio, que por sua vez é anterior à Lei e ao sacerdócio levítico. Por Abraão, ter se colocado de modo inferior a Melquisedec, o sacerdócio de Levi, que é descendente de Abraão, é inferior ao de Melquisedec. Livre da cronologia histórica, pois como fora dito não possuía nem genealogia, nem posteridade, Melquisedec possuía um sacerdócio eterno.
Em Jesus Cristo compreendemos figura tão emblemática, como Melquisedec. Isso por que é Cristo quem confere todo o sentido dessa história, por meio do acontecimento real de sua vida no mundo. Jesus é Rei-sacerdote, por que veio implantar o Reino da Paz, através do seu sacrifício. Seu sacerdócio na ordem de Melquisedec é superior por que instaura o Reino e realiza a Profecia de sua boca. Por meio de seu sacrifício, dá testemunho de si mesmo, pois através dele entramos na Eternidade, (cf. Hb 5, 6). Sim: “O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre...” (cf. Sl 110, 4; Hb 7, 20s). Sendo o sacerdócio de Cristo eterno é também imutável, perfeito e definitivo; não havendo mais necessidade de outro sacerdócio. Nesse sentido o sacerdote só é autêntico quando se faz na pessoa de Cristo, in persona Christo, quando é alter Christo, (Gl 2, 20).
Por fim, Salém, da qual Melquisedec é rei, foi reconhecida como Jerusalém (cidade da paz) na qual Jesus entra como Rei. O Reino que não é deste mundo é consolidado na cruz, que é o trono de Jesus, invertendo a lógica do mundo. Esse Reino, que como ressalta a Sagrada Liturgia de Cristo Rei, é um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz. E todas as vezes que rezamos o Pai-nosso ensinado por Cristo, pedimos: “venha a nós vosso reino”. Que ao celebrarmos hoje este memorial da entrada de Jesus em Jerusalém reconhecendo-o e aclamando-o com rei, nos disponhamos a colaborar com ele na construção deste Reino.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Oração, jejum e caridade


O tempo da quaresma é um período de renovação da nossa vivência cristã. A Igreja como Mestra da Verdade nos ensina de modo surpreendente, por intermédio de sua liturgia, como celebrar a Páscoa do Senhor e a nossa. Já na quarta-feira de cinzas nos é dada uma nova forma de vivermos nossa espiritualidade de modo mais intenso. Somos convidados a prática mais autêntica da caridade, da oração e do jejum.
O evangelista Mateus nos propõe o segredo como método mais eficaz de nossa experiência com Deus. O tríplice exercício espiritual: caridade, oração e jejum; devem ser praticados no sigilo. Não se trata aqui de algo que deve ser escondido do mundo, mas realizado de tal forma que proporcione uma intimidade com Deus. É diante d’Ele que devemos realizar essas ações. No entanto Ele não é o beneficiado, porque não necessita de nada, pelo contrário é Ele quem nos enriquece. Somos nós que crescemos espiritualmente e como pessoas humanas. Pois quando jejuamos percebemos a fragilidade humana e o quanto sofrem aqueles que nada têm para comer. Algo semelhante acontece quando ofertamos aos nossos irmãos algum bem nosso, notamos o quanto, na maioria das vezes, somos egoístas e que partilhar não tira a vida, mas satisfaz. E na oração Deus nos encoraja para realizarmos o bem, também por meio dela encontramos o verdadeiro sentido de tudo isso. Por que percebemos que só Deus é perfeito e que nós, em contra partida, precisamos d’Ele e uns dos outros.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Solenidade de São josé, esposo de Maria

O texto que se segui dedico ao Protetor da Santa Igreja São José

A necessidade de ouvir

No mundo contemporâneo vivemos numa cultura barulhenta, até se fala de uma poluição sonora, que tem preocupado os médicos. Em contra partida já não somos mais capazes de parar para ouvir as pessoas que estão ao nosso redor. A televisão, o aparelho de som parece seduzir mais, que as relações intersubjetivas. Mais do que nunca precisamos escutar, ouvir verdadeiramente. Não se trata aqui de captar ruídos sonoros, mas realizar uma reflexão interior na qual poderemos encontrar a mais autêntica razão do nosso ser. O ouvir não é apenas uma passividade infrutífera, mas trata-se de uma interação intersubjetiva, o diálogo entre duas pessoas. E a sua finalidade está numa evolução do próprio ser. À medida que nos deparamos com ser do outro, que se desvela por intermédio de sua fala, nos auto-firmamos enquanto sujeitos.
Da Palavra de Deus vemos haurir seu apelo: “Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor!”. É da vontade do próprio Deus que nós o escutemos. Mas como realizar uma tão grande coisa, como escutar o Senhor? Ele mesmo nos mostra como é possível realizar tamanha proeza, quando nos precede no ouvir, (Ex 3, 7-9). Aí começa a realizar sua kenosis, ou seja, Deus se enche de compaixão de seu Povo, sente seu sofrimento e mais ainda, assumi como sendo seu. Mas do que nunca podemos afirmar: Deus entende o seu Povo. A encarnação do Verbo Divino, a Paixão, Morte e Ressurreição Jesus Cristo se constitui a expressão máxima dessa escuta (Fl 2, 6-11).
Mas como todo diálogo exige interação, agora é nossa vez de escutar, de ouvir. Assim com Deus assumiu nosso ser, com exceção do pecado, nós precisamos realizar nossa enosis, ou seja, nos deixar divinizar. Pois é Ele quem realiza em nos essa obra, na medida em que nos abandonamos em suas mãos, deixando para traz toda auto-suficiência. É preciso ouvir, deixa-se tocar pelo ser de Deus, só assim assumiremos essa natureza divina comunicada por Ele. Fica claro que ouvir é muito mais que silencia exteriormente, mas colocar-se a disposição, por fim aceitar a transformação do próprio ser. O modo de ouvir Deus assumido pelo Homem Novo é semelhante ao que chamamos de obediência, obedecer (“ob-audire”) que significa, de forma simples, submetesse livremente à palavra ouvida (CIC 144). Em outras palavras trata-se de fazer-se servo, pois só assim seremos considerados filhos (Lc 15, 19).
Maria é o arquétipo perfeito de quem ouve, de quem é obediente, por isso a chamamos a Nova Eva. Pois não se elevou, mas se fez serva (Lc 1, 38. 47) e só assim foi elevada, como acreditamos. Ainda hoje ela nos convida: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). Eis nosso desafio diante de nossos olhos, mas não se trata de algo que colocamos em prática do dia pra noite e sim de um exercício que devemos praticar ao longo de nossa vida, o mais importante é não desistir.



sexta-feira, 12 de março de 2010

Ainda somos Discípulos do Caminho?


Dos nomes com os quais os seguidores de Jesus foram denominados, podemos recordar um que nunca perdeu a sua atualidade e que está, por assim dizer, na sua natureza. Trata-se do nome de Discípulos do Caminho.
O próprio Senhor se identificou como sendo o Caminho, basta olharmos para o contexto da despedida após a Última Ceia, retratada por João (cf. Jo 14, 1s). Cristo se colocou como o elo estreito, definitivo e insubstituível entre nós e o Pai. Pois, assim foi da vontade do Pai que o Verbo Divino assumindo a nossa natureza, fosse para nós Caminho Divino que nos conduz a Ele. Mas, esse caminho não é longo, nem muito menos intransponível, porque o Senhor vem ao nosso encontro. Em Jesus, no Caminho, nos encontramos com o Pai. A parábola do pai misericordioso (ou filho pródigo) é um belo exemplo do que Deus é capaz de fazer por nós, mesmo quando o abandonamos e desconsideramos a sua existência: “Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai viu-o, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos” (Lc. 15, 20). De fato, quando estávamos perdidos, na nossa existência, Deus não exitou assumir nossa humanidade, fazendo-se um de nós exceto no pecado. Por isso é que podemos dizer sempre que o primeiro passo é dele, em vista da nossa comunhão com Ele. Evidentemente que isso não nos torna isentos de participação para que ocorra esse encontro. Precisamos tomar a decisão de retornar, assim como fez o filho pródigo, examinar a consciência e realizar uma conversão que se demonstra em uma nova postura de vida.
Os discípulos do Senhor eram chamados de Discípulos do Caminho por que foram encontrados por Jesus. Agora depois da Revelação Plena em Jesus Cristo, peregrinamos na fé, caminhamos como o “Novo Povo de Deus” rumo à vida plena em Deus. Não obstante as alegrias e as esperanças, as dores e as angustias que experimentamos nesse mundo, somos chamados a testemunhar o imensurável amor de Deus, afim de que todos participem das alegrias do Pai. É por essa razão que também nós podemos nos denominar hoje como Discípulos do Caminho. Por que somos seus seguidores, somos seus discípulos, fizemos uma experiência com Ele, por isso estamos no Caminho.