sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Maria no plano da Salvação

Diversas vezes Jesus foi identificado como a luz, já no Evangelho Ele se identifica como a luz do mundo que veio iluminar e dissipar todas as trevas (Jo 8,12). Cristo gerado antes de todos os séculos, procede diretamente do Pai, “Luz da Luz”. E por desígnio de seu Pai entrou na história, não de forma mágica, mas nascido de uma mulher (cf. Gl 4,4). Esta por sua vez representa todo o seu povo à espera da vinda do Messias. O nome desta mulher é Maria, considerada Aurora da Salvação, pois trouxe em seu seio Jesus Cristo a Luz do mundo, aquele que veio trazer a vida divina, a salvação para a humanidade inteira.
Na plenitude dos tempos, Deus preparou uma virgem com a finalidade de ser mãe de seu Filho no mundo. Por esta razão Maria foi concebida imaculada, sem pecado, a fim de receber santamente o Salvador. Para que, isentos do pecado, tanto o Filho como a mãe, fossem o novo Adão e a nova Eva. Pois, já que por Adão e Eva, nossos primeiros pais, tornamo-nos pecadores, por meio de Jesus e Maria fomos regenerados definitivamente. Todavia, é preciso esclarecer que Maria não assume aqui a função de “salvadora” da humanidade, mas foi a primeira a experimentar dessa graça santificante e ao mesmo tempo a primeira a colocar-se a seu serviço. Para isso Maria confiante se entregou nas mãos do Pai, submetendo sua vontade a vontade do Pai, quando disse livremente: “Ecce ancílla Dómini: Fiat mihi secundum verbum tuum!” (cf. Lc 1,38). No entanto, o sim de Maria foi como que aurora para o sim definitivo e sem reservas de Jesus Cristo, que apagou o pecado da humanidade. Tudo isso, revela que Deus respeita a liberdade do ser humano até as últimas conseqüências. Ele só salvou o homem porque este escolheu a salvação. Maria, na história da salvação é modelo de toda a humanidade, que deseja a Deus e sua salvação. Isso porque, fazendo a sua vontade, a exemplo de Maria nos configuramos a Cristo e formamos com Ele uma só família.
Sendo assim, podemos concluir que a presença de Maria na Economia da Salvação é de grande importância. E isto não significa que Deus esteja submetido à vontade de Maria, pelo contrário, Ele nos provou que podemos ser livres mesmo submetidos à sua Vontade. Retomando agora nosso ponto de partida, podemos dizer em conformidade com o que foi dito: Maria traz em si a Luz que é o Cristo. Ela não é a Luz, mas a contém, porque em sua vida foi Deus quem se manifestou, pois foi em virtude do sim de Cristo que ela disse o seu.

domingo, 13 de junho de 2010

ENCERRAMENTO DO ANO SACERDOTAL




Esta cidade, disse o Papa, viveu jornadas inesquecíveis, com a presença de mais de 15 mil sacerdotes de todas as partes do mundo. "Por isso, hoje desejo dar graças a Deus por todos os benefícios que este Ano trouxe para a Igreja em todo o mundo. Ninguém jamais poderá medi-los, mas certamente estão visíveis e serão ainda mais visíveis os seus frutos."


domingo, 16 de maio de 2010


ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO
DOS SACERDOTES AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI

Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
Estamos cientes de que, sem Jesus,
nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.
Esposa do Espírito Santo,
alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.
E assim possa a Igreja
ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d'Aquele
que faz novas todas as coisas.
Mãe de Misericórdia,
foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).
Ajudai-nos,
com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.
Preservai-nos com a vossa pureza,
resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflecte em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.
Mãe da Igreja,
nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso « eis-me aqui».
Guiados por Vós,
queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.
Advogada e Medianeira da graça,
Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.
Repeti ao Senhor aquela
vossa palavra eficaz:
« não têm vinho » (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.
Cheio de enlevo e gratidão
pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
« Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).

Mãe nossa desde sempre,
não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este acto de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
reflectida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Caminho da ressurreição




Nossa existência se faz num caminho, que percorremos do nascimento à morte natural. Mas como seres humanos, não temos uma vida reduzida somente a isso, nossa caminhada existencial é marcada por questionamentos fundamentais, sobre a vida e até sobre a morte. Essas indagações são de algum modo, concretizadas em nossa vida por intermédio de posicionamentos que tomamos, escolhas que fazemos e até mesmo modos de viver que escolhemos. Dessa maneira, encontramos razões para nossa existência, que nos encorajam a empenhar toda a nossa vida.
O Povo de Deus fez esse percurso da obscuridade à luz, a partir de Abraão, o pai dos hebreus, passando por Moisés até chega a Jesus, o povo caminhou em busca do sentido de sua existência. A culminância desse caminho foi o acontecimento da encarnação do Verbo, pela qual Deus mesmo vem dar o sentido último da vida do homem. Mas para acolher essa revelação faz-se necessário abrir o coração à luz da fé como aconteceu no caminho para Emaús (cf. Lc 24, 15-17. 25-27).
No caminho crescemos na fé, encontramos razões para nossa esperança (cf. IPd 3, 15b). A analogia do caminho sempre foi muito ajustada para o cristianismo, pois faz parte de sua proposição fundamental, essa metodologia processual. Característica fundamental que com certeza foi herdada da experiência judaica, que sempre viveu essa dimensão de povo peregrino, chamado a ser luz dos povos. É no caminho que deixamos para trás velhas práticas que não nos ajudam, como também a prendemos que não somos eternos e que as coisas desse mundo são efêmeras (cf. I Cor 7, 31b; I Jo 2, 15-17), mas também no caminho descobrimos que somos herdeiro de um bem maior que ultrapassa todas as coisas, Deus.
Acredito que foi essa a experiência fundamental da vida de São Paulo. Lucas quando narra em Atos dos Apóstolos a conversão de Saulo (cf. At 9, 1-20), não quer transmitir um acontecimento mágico e fantasioso. Pelo contrário, relata que Paulo faz essa passagem de perseguidor dos que já eram do Caminho (At 9, 2), para um seguidor do Caminho (Gl 1, 12-24). Antes de sua conversão não enxergava com os olhos da fé, mas estava preso as suas convicções que lhe impossibilitava de progredir na mesma fé. Somente quando foi atingido pela luz da Verdade de Jesus é que pôde se deixar conduzir pela comunidade dos seguidores do Caminho. A comunidade lhe retirou as “escamas dos olhos”, e lhe conferiu a missão de fazer com que outros também enxergassem a mesma luz.
Por fim, o caminho que o Evangelho que nos ensinar é o caminho da ressurreição. Isso significa que nossa vida deve passar por uma fundamental e radical transformação. A ressurreição de Cristo nos impele. Não podemos nos conformar com a morte e com tudo que só conduz a ela. Devemos buscar cada vez mais viver a vida verdadeira conquistada por Cristo na cruz.

terça-feira, 6 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

TRÍDUO PASCAL


Queridos irmãos e irmãs,
Amanhã terá início o Tríduo Pascal, centro de todo o ano litúrgico, no qual somos convidados, através do silêncio e da oração, a contemplar o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Como prelúdio, na manhã da Quinta-feira Santa, celebramos a Missa do Crisma, na qual são consagrados os santos óleos e os sacerdotes renovam as promessas da sua ordenação, gesto que neste Ano Sacerdotal assume um significado especial. Ao entardecer do mesmo dia, comemoramos a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés visto como uma representação da vida entrega de Jesus com o seu amor levado ao extremo; um amor infinito capaz de habilitar o homem para a comunhão com Deus e torná-lo livre. Na Sexta-feira Santa, fazemos memória do seu sacrifício na Cruz para a nossa redenção. Por fim, após o silêncio do Sábado-Santo, celebramos a Vigília Pascal na qual, com o canto do Aleluia, proclamamos a Ressurreição de Cristo: a vitória da luz sobre as trevas, da vvida sobre a morte
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL Praça de São Pedro
Quarta-feira, 31 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

SEMANA SANTA


Neste domingo iniciamos a Grande Semana dos cristãos, na qual celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. O início dessa grande celebração se dá com o Domingo de Ramos, pelo qual recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém, para realizar sua entrega total e definitiva ao Pai, por nós.
No contexto do Ano Sacerdotal vale à pena fazer um paralelo entre dois sacerdotes, entre dois sacrifícios. O primeiro sacerdote é figura do segundo, ou seja, é sua prefiguração. Trata-se da relação entre Melquisedec e Jesus. Melquisedec é um personagem que não possui origem, nem muito menos fim. Tudo o que se sabe dele é que foi o primeiro a oferecer um sacrifício de pão e vinho e que era rei de Salém. “E seu nome significa, em primeiro lugar, ‘Rei de Justiça’; e, depois, ‘Rei de Salém’, o que quer dizer ‘Rei da Paz’.” (Hb7, 2) Também Abraão entregou para ele o dízimo de tudo (cf. Gn 14, 20), reconhecendo, assim, sua superioridade no que se refere a relação com Deus. Desse modo Melquisedec pode ser considerado maior que Abraão, em virtude de seu sacerdócio, que por sua vez é anterior à Lei e ao sacerdócio levítico. Por Abraão, ter se colocado de modo inferior a Melquisedec, o sacerdócio de Levi, que é descendente de Abraão, é inferior ao de Melquisedec. Livre da cronologia histórica, pois como fora dito não possuía nem genealogia, nem posteridade, Melquisedec possuía um sacerdócio eterno.
Em Jesus Cristo compreendemos figura tão emblemática, como Melquisedec. Isso por que é Cristo quem confere todo o sentido dessa história, por meio do acontecimento real de sua vida no mundo. Jesus é Rei-sacerdote, por que veio implantar o Reino da Paz, através do seu sacrifício. Seu sacerdócio na ordem de Melquisedec é superior por que instaura o Reino e realiza a Profecia de sua boca. Por meio de seu sacrifício, dá testemunho de si mesmo, pois através dele entramos na Eternidade, (cf. Hb 5, 6). Sim: “O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre...” (cf. Sl 110, 4; Hb 7, 20s). Sendo o sacerdócio de Cristo eterno é também imutável, perfeito e definitivo; não havendo mais necessidade de outro sacerdócio. Nesse sentido o sacerdote só é autêntico quando se faz na pessoa de Cristo, in persona Christo, quando é alter Christo, (Gl 2, 20).
Por fim, Salém, da qual Melquisedec é rei, foi reconhecida como Jerusalém (cidade da paz) na qual Jesus entra como Rei. O Reino que não é deste mundo é consolidado na cruz, que é o trono de Jesus, invertendo a lógica do mundo. Esse Reino, que como ressalta a Sagrada Liturgia de Cristo Rei, é um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz. E todas as vezes que rezamos o Pai-nosso ensinado por Cristo, pedimos: “venha a nós vosso reino”. Que ao celebrarmos hoje este memorial da entrada de Jesus em Jerusalém reconhecendo-o e aclamando-o com rei, nos disponhamos a colaborar com ele na construção deste Reino.